Carbono na agricultura: guia completo

Nos últimos anos, conceitos como carbono, agricultura de baixo carbono, carbono neutro, carbono zero e carbono na agricultura passaram a aparecer com mais frequência em conversas sobre o agro. Para muitos produtores, pode parecer um assunto distante, técnico ou ligado apenas a questões ambientais.

Mas, questões sobre a emissão de gás carbônico já faz parte de critérios para decisões comerciais, financeiras e regulatórias que impactam o agro. Entender como esse sistema funciona significa sair na frente e estar preparado para as exigências do mercado.

Pensando nisso, a Petrovina preparou este artigo para explicar de forma clara o que é o carbono no agro, como ele é capturado e mensurado, o que significa falar em carbono zero e quais são as vantagens práticas para o produtor rural.

Por que é importante o produtor entender sobre carbono?

Apesar da discussão sobre o carbono não ter nascido no campo, ela já faz parte dessa realidade. Entender sobre e aplicar na fazenda deixou de ser opcional para quem quer se destacar nos negócios.

A inclusão do carbono na agricultura pode ser um diferencial competitivo importante. Para o produtor, traz vantagens concretas, como:

  • Mais credibilidade e abertura de novas oportunidades no mercado, com maior confiança por parte dos compradores e parceiros;
  • Acesso a linhas de crédito diferenciadas que já consideram critérios ambientais;
  • Maior valor agregado ao produto com diferencial competitivo;
  • Menos exposição a multas e problemas ambientais com as operações da fazenda em conformidade.

O que é o carbono e por que é importante na agricultura?

O carbono é um elemento natural presente em abundância na natureza. No contexto ambiental, está relacionado principalmente ao gás carbônico (CO₂) que é essencial para a vida, mas em excesso é o principal gás do efeito estufa.

Ele é emitido e capturado constantemente por diversos tipos de atividades, sejam humanas ou naturais.

Toda atividade econômica emite carbono em algum nível e o mercado está de olho em quem captura ou sequestra essas emissões da atmosfera.

No agro, as emissões estão associadas às operações no campo, ao uso de insumos, ao transporte e às máquinas agrícolas. Ao mesmo tempo, a agricultura ocupa uma posição estratégica: ela também tem capacidade real de capturar carbono.

É com essa lógica que o carbono na agricultura se torna estratégico nos negócios.

O papel da agricultura no ciclo do carbono e o conceito de carbono neutro

Para entender melhor essa importância, vamos ver como o carbono na agricultura aparece e acontece na prática. De forma simplificada, o ciclo do carbono passa pela atmosfera, planta e solo da seguinte maneira:

  • o carbono está presente na atmosfera
  • as plantas capturam esse carbono durante a fotossíntese
  • parte desse carbono é incorporada à biomassa vegetal
  • outra parte é retido no solo na forma de matéria orgânica
Imagem representando o sequestro de carbono na agricultura
Como funciona o ciclo do carbono na agricultura / Fonte: Embrapa

A quantidade de carbono que é “sequestrado” para o solo, depende dos manejos aplicados. Ou seja, a agricultura aliada a boas práticas agrícolas é peça chave na compensação de carbono na atmosfera.

É a partir desse equilíbrio entre o que se emite e o que se captura que surge o conceito de carbono neutro ou carbono zero. Na prática, isso significa mensurar todas as emissões geradas pelas atividades agrícolas e buscar equilibrar essa conta de duas formas complementares:

  • pela captura e sequestro de carbono no próprio sistema produtivo, por meio das plantas e do solo;
  • pela compensação das emissões utilizando créditos de carbono gerados por projetos que removem ou evitam emissões em outras áreas.

Como fazer uma agricultura de baixo carbono?

Para fazer uma agricultura de baixo carbono, o produtor não precisa mudar completamente a sua forma de trabalhar, basta aprimorar práticas que já fazem parte da rotina do campo, como:

  • manejo adequado do solo, preservando sua estrutura e fertilidade
  • realização de plantio direto
  • uso racional de insumos com planejamento e registros
  • rotação de culturas para favorecer a diversidade biológica
  • manutenção de resíduos vegetais que contribuem para a matéria orgânica
  • organização das operações com rastreabilidade e controle
  • critério na escolha de produtos e parceiros, dando prioridade aos alinhados a boas práticas agrícolas e ambientais

Como o carbono é medido na agricultura?

Para que o carbono deixe de ser apenas um conceito e passe a fazer parte da gestão da propriedade, ele precisa ser medido de forma organizada e confiável.

Na prática, a mensuração do carbono na agricultura começa com o registro das operações. Pois, cada decisão tomada no campo influencia diretamente nas emissões ou na captura de carbono.

Esse processo envolve:

  • Levantamento detalhado das operações agrícolas, como plantio, colheita e transporte;
  • Registros de insumos utilizados, incluindo fertilizantes, defensivos, sementes e combustível;
  • Acompanhamento das práticas de manejo, como rotação de culturas, cobertura do solo e uso de tecnologias que reduzem emissões;
  • Uso de metodologias reconhecidas internacionalmente, que permitem comparação, auditoria e aceitação pelo mercado;
  • Aplicação de calculadoras de carbono, softwares especializados e sistemas de gestão, que organizam e processam os dados.

Crédito de carbono: um novo mercado de oportunidades

Para reduzir e equilibrar as emissões de carbono na atmosfera, ao mesmo tempo movimentar a economia, surgiu o mercado de crédito de carbono.

O conceito foi criado por meio do protocolo Kyoto em 1997, com o objetivo de diminuir a emissão dos gases de efeito estufa, funcionando como uma moeda verde:

  • Empresas ou projetos que reduzem suas emissões recebem créditos que podem ser vendidos para outras empresas.
  • Empresas que emitem gases de efeito estufa acima da meta estabelecida compram esses créditos para compensar suas emissões.
Um crédito de carbono = uma tonelada de carbono que deixou de ser emitida para a atmosfera
representação de como funciona o mercado de crédito de carbono
Fonte: Aegro

Existe o mercado regulado, já com normas para o trâmite do crédito de carbono e o voluntário, que a participação é opcional.

O Brasil participa do mercado voluntário, mas diante da crescente demanda e do potencial do país, diferentes instituições e empresas estão atuando para a regulamentação.

Como o produtor rural entra no mercado de carbono?

Com a capacidade da agricultura de captar carbono, esse novo mercado significa para o produtor novas oportunidades.

O acesso ao mercado de crédito de carbono não é simples e não acontece de um dia para o outro, mas com boas práticas, organização e informação é possível.

De forma resumida, o caminho que o produtor precisa seguir envolve:

  • Registrar e organizar dados da fazenda, como operações agrícolas, uso de insumos, manejo e logística, que impactam emissões e captura de carbono;
  • Mensurar as emissões e a captura, utilizando calculadoras de carbono, softwares e metodologias reconhecidas internacionalmente;
  • Estruturar um projeto com apoio ténico, que será monitorado e comprovado por empresas de auditorias independentes;
  • Gerar e comercializar créditos de carbono, no mercado voluntário, como forma de compensação para empresas emissoras.

É possível o produtor participar por meio de projetos coletivos, cooperativas ou programas estruturados, que reduzem custos e facilitam o processo.

Conclusão

Com este artigo, ficou claro que o carbono deixou de ser apenas uma questão ambiental e já se tornou um fator estratégico no agro.

Hoje, como o produtor emite, captura e comprova as emissões de carbono de sua atividade é critério para decisões comerciais e acesso a linhas de crédito diferenciadas.

Além do mais, a capacidade da agricultura de sequestrar o carbono da atmosfera abre novas oportunidades de renda ao produtor no mercado de crédito de carbono.

A Petrovina Sementes, com mais de 40 anos de história, acredita que a sustentabilidade e bons negócios caminham juntos. Por isso, adotamos boas práticas para a redução da emissão de carbono em nossa produção, levando para o mercado uma semente de qualidade, responsável com o meio ambiente, preparada e alinhada às novas exigências do mercado.


FAQ – Carbono na agricultura

1) O que é carbono na agricultura?

É o carbono presente principalmente no CO₂ (gás carbônico), que é emitido e capturado nas atividades do campo. A agricultura emite carbono em operações e insumos, mas também consegue capturar carbono por meio das plantas e do solo.

O que significa ser carbono neutro ou carbono zero?

Significa equilibrar o que é emitido com o que é capturado ou compensado. Isso pode ser feito sequestrando carbono no solo e nas plantas e/ou comprando créditos de carbono para compensar emissões.

Por que o produtor rural deve se preocupar com carbono?

Porque já é critério para decisões de mercado, crédito e parcerias. Entender e gerir carbono pode gerar mais credibilidade, acesso a financiamentos, valor agregado ao produto e menor risco ambiental.

Como começar uma agricultura de baixo carbono?

Aprimorando práticas que já fazem parte da rotina: plantio direto, rotação de culturas, manejo adequado do solo, uso racional de insumos, manutenção de resíduos vegetais e organização das operações com registros e rastreabilidade.

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